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Ao contrário do que se difundiu, o Movimento Escolinhas de Arte (MEA)2, não foi apenas voltado para o ensino do desenho
e da pintura. Embora se compreenda que faz sentido essa idéia, senso-comum, na
arte-educação brasileira, ou a cerca dela, pois no MEA o ensino do desenho e da
pintura foram bastante enfatizados mas não em detrimento de outras linguagens
artísticas - teatro, dança e música.
Uma possível análise desta questão requer um olhar
para nossa História de povo colonizado: o processo de colonização
estético-artístico no Brasil se deu, sobretudo, através das artes plásticas com
a vinda da Missão Artística Francesa (1816).
Quando Dom João VI resolveu encomendar a Missão
Artística Francesa com a tarefa de fundar no Rio de Janeiro a Academia Imperial
de Belas Artes (1826), na verdade, segundo Ana Mae Barbosa3, ele estava promovendo uma intervenção cultural
em nosso processo civilizatório.
Os artistas da Missão Artística Francesa4 (chefiados por Joachim Lebreton), encarregados de
ensinar arte na colônia, defendiam o ideário neoclássico - linhas retas e
puras. Diz o crítico de arte Frederico Morais que:
"O Neoclassicismo trazido ao Brasil pela Missão
Artística Francesa serviu de base para a implantação do sistema das
belas-artes. Com ele foram criadas as normas e regras do ensino, hierarquizando
gêneros e temas, impondo modelos europeus e dificultando ao máximo o contato
com a realidade brasileira."(1993:7)
Estes artistas não tardaram em opor-se ao barroco -
linhas curvas e abundância de ornamentos - que, produzido pelos escravos, havia
adquirido no Brasil uma característica muito mais sensual que o diferenciava do
barroco português e do italiano.
Desta oposição tivemos, a instalação de um
preconceito estético que se traduzia também em preconceito de classe: por um
lado, se o artista, mesmo pobre, defendesse a concepção neoclássica, ele era
aceito pela corte e, de certa forma, era também considerado cidadão de primeira
categoria, dela participando; por outro lado, aquele artista que defendesse o
barroco, fatalmente seria considerado cidadão de segunda categoria, pois a
organização estética barroca era percebida pela corte como coisa de escravo. O
que significa pensar que as artes plásticas, desde o começo de nossa
colonização, foram com maior ênfase incutidas na mentalidade de nosso povo, não
sendo por acaso este olhar mais atento para o fenômeno artístico-plástico.
Deste contexto mais geral de nossa História, passamos
para um mais particular e objeto de nosso estudo - o MEA.
Talvez o motivo mais marcante para que se pense que o
MEA foi apenas voltado para a pintura e o desenho advenha do fato de que seus
criadores, Augusto Rodrigues, Lúcia Alencastro Valentim e Margaret Spence eram
artistas plásticos conceituados, quando resolveram investir no sonho de criar
uma escola de arte para crianças. Do encontro destes três artistas, nasceu a
Escolinha de Arte do Brasil (EAB)5 em 1948,
no Rio de Janeiro e como conseqüência foi aos poucos se estruturando e
difundindo o MEA.
Curiosamente, no mesmo ano em que se cria a EAB,
estava havendo uma exposição pedagógica em Milão (Itália), na qual os trabalhos
artísticos de crianças brasileiras foram recusados por carecer de
espontaneidade e por apresentar "grosseiramente" a intervenção do
adulto nos mesmos. É interessante realçar a influência que a EAB e o MEA
sofreram da Escola de Artes e Ofícios criada pelo tcheco Franz Cizek em Viena
(1897).
Assim, não é por acaso que Herbert Read escreveu na
apresentação da famosa exposição das crianças inglesas no Brasil (Conselho
Britânico - 1941 - Rio de Janeiro) sobre Cizek:
"(...) foi o professor Cizek, de Viena, quem
primeiro demonstrou as vantagens estéticas e psicológicas de libertar o impulso
criador que existe em todas as crianças. Coube-lhe ainda, a tarefa difícil de reivindicar
o valor estético dos desenhos produzidos nessas circunstâncias."(1980:27)
O próprio Augusto Rodrigues justifica a criação da
EAB em entrevista concedida a revista Visão (1968), dizendo mais ou menos
assim: ao observar o comportamento das crianças brasileiras, durante a
exposição das crianças inglesas no Brasil, me chamou a atenção, especialmente,
a expressão de um menino que ao final do percurso exclamou para seu pai:
"Ora, papai, isso eu também faço!".
O comentário do menino - misto de admiração,
encantamento, e vontade de fazer - estimulou e definitivamente plantou em
Augusto Rodrigues a necessidade premente de criar em nosso país uma escola de
arte voltada para a criança e seu ensino. A inauguração da EAB foi a realização
de um sonho, não apenas dos seus três criadores, mas também de uma série de
intelectuais, artistas e educadores. Sobre o início da EAB e do MEA afirma D.
Noemia Varela que:
"Costumamos dizer que artistas, educadores,
psicólogos, entre outros interessados por arte e educação fizeram a Escolinha
de Arte do Brasil. É uma forma de enfatizar a indispensável contribuição de
muitos na continuidade dessa Escolinha e na repercussão gradativa de suas
idéias e práticas. Mas, em seu começo, o trabalho cotidiano, a luta contra
incompreensões, a busca de soluções para dar continuidade à experiência
récem-inaugurada, ficaram concentrados nas mãos dos três artistas fundadores.
Também o MEA não foi fruto do acaso e sim do desejo, do sonho e da vontade de
fazer (...)"(1988:6)
Na realidade, a criação da EAB foi um importante
acontecimento que lançou as bases do Movimento Escolinhas de Arte no Brasil e
novamente destacamos o que diz D. Noêmia Varela sobre o movimento:
"O Movimento Escolinhas de Arte é uma
conseqüência natural da própria filosofia e dinâmica da Escolinha de Arte do
Brasil. Quando ela foi instituída, Augusto empenhou-se em seguir uma diretriz
educacional criadora. Sentiu que naquele momento era novidade uma classe de
arte para criança. Chamava atenção, mobilizava os interesses mais diversos,
(...) Entendeu rápido que teria que difundir horizontalmente e que teria que
passar a mensagem - porque era fundamental a importância daquela pequenina
experiência, que nada tinha a ver com o sistema escolar da rede
oficial."(1980:70)
A Educação Através da Arte, expressão que traduz a
proposta educacional - Filosofia e Metodologia - da EAB e consequentemente do
MEA pode ser pensada como fundamentação que permeou, e até hoje influencia as
Escolinhas envolvidas nessa experiência, desde os anos 40 no Brasil, em cada
região adquirindo e apresentado características próprias. Como é o exemplo da
escolinha fundada em Salvador(BA) que privilegiava a música, mas não em
detrimento de outras linguagens artísticas.
Em entrevista com D. Noemia Varela para este trabalho,
ela chamou a atenção que, a palavra arte usada no singular não era pensada como
restrição, mas como uma proposta de amplitude e profundidade e que o objetivo
do MEA era trabalhar com o dimensão interdisciplinar que a arte possui. Além
disso, o MEA foi o primeiro movimento importante do ensino de arte no Brasil, o
que também quer dizer que esse movimento representou um marco em nosso ensino
de arte e possibilitou o processo de transformação do mesmo sob o ponto de
vista filosófico e metodológico.
No âmbito da educação ele veio ajudar quanto ao
repensar a escola e o ensino de forte caráter tradicional até então. Ainda
sobre a proposta do MEA afirmam, com o olhar de hoje, Fusari e Ferraz:
"A Educação Através da Arte é, na verdade, um
movimento educativo e cultural que busca a constituição de um ser humano
completo, total, dentro dos moldes do pensamento idealista e democrático.
Valorizando no ser humano os aspectos intelectuais, morais e estéticos,
procurando despertar sua consciência individual, harmonizada ao grupo social ao
qual pertence."(1992:15)
Enquanto D. Noemia, com seu olhar de profunda
conhecedora da filosofia do MEA diz ter constatado sobre a importância da arte
na educação o seguinte:
"(...) constatei - como acontecimento sentido,
vivenciado - que o espaço da arte-educação é essencial à educação numa dimensão
muito mais ampla, em todos os seus níveis e forma de ensino. Não é um campo de
atividades, conteúdos e pesquisas de pouco significado. Muito menos está
voltado apenas para as atividades artísticas. É território que pede presença de
muitos, tem sentido profundo, desempenha papel integrador plural e
interdisciplinar no processo formal e não formal de educação. Opera como campo
de transformações vitais, dando ampla visão, muito vigor - saúde - à própria
educação geral e aos que em seu espaço convivem e crescem na dimensão do
exercício efetivo e dinâmico de sua capacidade criadora."(1988:2)
O MEA propunha, enfim, como princípio norteador o
respeito para com a expressão livre da criança - seu gesto-traço, suas
brincadeiras de faz-de-conta, sua espontaneidade.
Nas palavras de Read sobre a experiência de Cizek,
destacadas como citação em trecho anterior deste trabalho, percebemos uma
síntese da Filosofia do MEA, quando ele enfatiza:
"(...) as vantagens estéticas e psicológicas de
libertar o impulso criador que existe em todas as crianças". (1980:27)
(grifo nosso).
Também, tentando sintetizar a Filosofia do MEA,
enfatizamos o que encontramos em um dos depoimentos de D. Noemia Varela sobre a
EAB, quando ela ressalta:
"(...) Augusto empenhou-se em seguir uma
diretriz educacional criadora". (1980:70) (grifo nosso).
Neste ponto de vista, fica clara a proposta
filosófica-metadológica do MEA: libertar a criança através de uma educação em
arte criadora. Fusari e Ferraz, neste sentido, dizem sobre a base do pensamento
do MEA:
"A base desse pensamento é ver a arte não apenas
como uma das metas da educação, mas sim como o seu próprio processo, que é
considerado também criador."(1992:15) (grifos nosso)
A partir deste contexto somos levados a tentar
compreender a história da metodologia da Livre Expressão. Esta vinha se instaurando
no ensino da arte brasileiro desde a semana de Arte Moderna de 1922. Como chama
a atenção Ana Mae Barbosa:
"No Brasil, como já havia acontecido na Áustria
com Cizek, o interesse pelas teorias expressionistas e pelos escritos de Freud
levou a uma valorização da arte infantil. Mário de Andrade e Anita Malfatti
foram os introdutores da livre expressão para a criança. Anita, orientando
classes para jovens e crianças em São Paulo, e Mário de Andrade promovendo
programa e pesquisas na Biblioteca Municipal de São Paulo (...) introduzindo no
seu curso de História da Arte, na Universidade do Rio de Janeiro, estudos sobre
a arte da criança (...) Contudo, a idéia da livre expressão somente alcançou a
escola pública durante os anos 30, quando outra crise político-social, a
mudança da oligarquia para a democracia exigiu reformas
educacionais."(1980:109)
Nos anos 30, com o advento da democracia, surge o
projeto pedagógico Escola Nova, como uma proposta educacional que se contrapõe
ao modelo pedagógico tradicional. Este novo modelo tentou implementar
significativas modificações no âmbito educacional brasileiro, pois este
movimento ansiava por uma escola diferenciada, na qual o aluno pudesse ser
pensado como sujeito do seu próprio saber. Para ampliar a compreensão e a
articulação deste movimento com o MEA recorremos a Demerval Saviani, em Fusari
e Ferraz no livro Arte na Educação Escolar. Ele chama a atenção para o
deslocamento de eixo que a Escola Nova promoveu em relação a tendência
tradicional:
"Deslocou o eixo da questão pedagógica do
intelecto para o sentimento; do aspecto lógico para o psicológico, dos
conteúdos cognitivos para os métodos ou processos pedagógicos; do professor
para o aluno; do esforço para o interesse; da disciplina para a espontaneidade;
do diretivismo para o não diretivismo; da quantidade para a qualidade; de uma
pedagogia de inspiração filosófica centrada na ciência da lógica para uma
pedagogia de inspiração experimental, baseada, principalmente, nas
contribuições da Biologia e da Psicologia."(apud Fusari e Ferraz, 1992:31)
(grifos das autoras).
Para o ensino da arte (MEA), esse movimento (Escola
Nova) representou uma espécie de terreno fértil, já que ambos propunham uma
nova organização escolar que por sua vez se opunha a proposta pela tendência
tradicional: nela a criança não era pensada como miniatura de adulto, mas
deveria ser valorizada e respeitada no seu próprio contexto, com sua forma
peculiar de pensar-agir no mundo, possuindo uma expressão original que
comunicava através de seu gesto-traço, seu gesto-teatral e seu gesto-sonoro.
O movimento Escola Nova teve como liderança os
pensadores da educação Dewey, Claparède e Decroly, eles consideravam a arte e a
brincadeira infantil importantes possibilidades educativas. Para realçar este
aspecto do pensamento destes teóricos, destacamos o que chama a atenção Dewey
sobre os jogos, a mímica e a espontaneidade infantil:
"(...) a fonte primária de toda atividade
educativa está nas atitudes e atividades instintivas e impulsivas da criança, e
não na apresentação e ampliação de material externo, seja através de idéias de
outros ou através dos sentidos; e, conseqüentemente, inúmeras atividades
espontâneas das crianças, jogos, brincadeiras, mímicas (...) são passíveis de
uso educacional, e não apenas isso, são as pedras fundamentais dos métodos
educacionais."(1980:42)
É interessante salientar, que Dewey com sua proposta
de aprender fazendo foi, segundo estudiosos tais como Moacir Gadoti e
Ana Mae Barbosa, estudado por Anísio Teixeira exercendo forte ascendência sobre
seu pensamento, embora Teixeira não tenha sido o primeiro a estudá-lo, pois
antes dele, Nereu Sampaio chegou até a traduzir alguns de seus trabalhos. É a
própria Ana Mae quem diz na obra Recorte e Colagem: Influências de John
Dewey no ensino da arte no Brasil:
"Teixeira foi o mais fiel representante das
idéias de Dewey no Brasil. Contudo, não foi o único nem o primeiro. Desde 1927,
referências e citações das obras de Dewey são encontradas em documentos e
livros brasileiros. Foi a primeira influência estrangeira que os educadores
locais buscaram ou, pelo menos, falaram em operacionalizar em termos nacionais
procurando adaptá-las às necessidades e características da sociedade brasileira
daquele tempo."(1982:35)
Pensamos que, a partir dessa influência se estabelece
uma relação intelectual e uma possível conexão da obra de Dewey com nossos
educadores através de Teixeira. Como é o caso de Paulo Freire que, ao se
considerar discípulo de Teixeira, conseqüentemente mais do que os outros
educadores, foi influenciado por Dewey. Já, Ana Mae Barbosa, afirma - em seu
documento Narrativa Circunstanciada6
- a importância do pensamento de Paulo Freire em sua escolha pela educação
(ensino de arte). Assim, pensamos que por isso a própria Ana Mae escreveu, como
resultado de uma vasta pesquisa, a obra anteriormente citada.
Inferimos, desta forma, que o pensamento de Dewey
chega ao teatro-educação no Brasil através da sistematização de Ingrid Koudela
via os estudos da própria Ana Mae Barbosa e de Courtney. Ingrid Koudela em sua
obra Jogos Teatrais (1990) cita Dewey em sua proposta de
teatro-educação.
Retomando o MEA e a influência de Dewey no pensamento
de Anísio Teixeira ressaltamos que segundo Ana Mae Barbosa:
"Infelizmente Teixeira nunca demonstrou especial
interesse pelas concepções elaborados por Dewey a cerca das experiências
estéticas ." (1982:34).
Apesar disso, Teixeira em seu livro Educação e O
Mundo Moderno, seleção de escritos de 1953-1961, toma como base os esforços
de Dewey que afirmam a arte como possibilidade educativa, basta olhar com
atenção, os grifos no texto:
"(...)para integrar indivíduo e sociedade,
trabalho e jogo, mente e corpo, criança e currículo, o espontâneo e o
reflexivo, o natural e o social, <1>sentidos e inteligência, ciência e
humanismo, ação e reflexão, cultura e eficiência, autoridade e liberdade,
disciplina e interesse, o subjetivo e o objetivo, o saber e o fazer, teoria e
prática, o precário e o estável, e assuntos referentes a realidade brasileira
imediata, como utopia e ideologia, educação para a classe trabalhadora e
educação para a classe alta."(1982:34) (grifo nosso)
Das palavras grifadas no texto acima, percebemos, de
alguma forma, a proposta de articulação do pensamento de Teixeira com o ensino
da arte que enfatizava o fazer espontâneo da criança e que foi sistematizado na
proposta de Educação Através da Arte, nascida na EAB e difundida pelo MEA.
Dessa forma, Teixeira apresenta-se como um grande incentivador da EAB e do MEA,
pois percebia o poder vanguardista e transgressor dos valores tradicionais em
educação de uma forma geral, da experiência levada a cabo, entre outros, por
Augusto Rodrigues em nosso país. No depoimento abaixo, percebemos através da
metáfora a importância que ele confere ao MEA, quando chama as escolinhas de
arte de oásis, de sombra e luz, contra o deserto que era a própria educação
brasileira naquela ocasião:
"A criação de Augusto Rodrigues cai já no
conceito mais amplo do nosso século, representando inovação corajosa que a
sensibilidade do artista procurou disfarçar na designação mimosa e feliz de
escolinha de arte. Trata-se de instituição, hoje espalhada por vários pontos do
país, proposta a oferecer à criança nada mais e nada menos que oportunidade
para atividades de criação artística. Representa, no Brasil, alguma coisa que
se poderia considerar óbvia, e que, entretanto, é, no gênero, talvez, o que de
mais significativo se faz entre nós no campo da educação infantil.
Na imensa aridez da paisagem das escolas nacionais,
paisagem que lembra aspectos de nossos desertos, as escolinhas de artes são
oásis de sombras e luz, em que as crianças se encontram consigo mesmo e com a
alegria de viver, tão 'deliberadamente' banida das 'escolas' convencionais de
'retalhos de informação', secos e duros como a vegetação habitual das zonas
áridas. Mas não é somente a escolinha de arte uma inovação pedagógica. É também
inovação do próprio conceito de arte, pois esta já não é a atividade especial
de criaturas excepcionais, mas atividades inerentes ao senso humano da vida,
que, felizmente, ainda se pode encontrar nas crianças que não foram
completamente deformadas pelos condicionamentos inevitáveis da instrução morta
e fragmentada das escolas convencionais. É essa a grande motivação das
escolinhas de arte (...) dar às crianças oportunidade para a mais educativa das
atividades, a atividade da criação artística."(1980:64)
O depoimento do educador Anísio Teixeira ressalta
mais um valor modernista do ensino da arte, que é a democratização da arte ou a
desacralização da obra de arte que tão bem argumenta Walter Benjamim em seu
famoso ensaio A Obra de Arte na Época de Suas Técnicas de Reprodução7.
Benjamim, ao propor a desmitificação da aura da obra
de arte, destitui a mesma de seu caráter exclusivamente mágico (sociedade
primitiva) buscando enfatizar o caráter político (sociedade moderna) que a
descoberta da fotografia proporciona ao multiplicar e difundir a obra de arte,
tornando-a acessível a uma grande maioria da população.
Desta maneira, a obra de arte não é mais
compreendida, apenas, como um ritual no qual não há divisão do trabalho:
artista e apreciador. Neste contexto, a obra de arte passa então a ser pensada
como produção humana, sujeita portanto, as contradições da sociedade.
Seguindo essa linha de pensamento o MEA buscou
democratizar a arte como um fazer acessível a todos, não apenas
valorizando os talentosos ou bem dotados em detrimento daqueles mais sensíveis
ou sem condições economico-sociais.
Para concluir, este trecho do trabalho, devemos
destacar que o MEA foi tão importante para nosso ensino de arte que através da
EAB participou em 1954 da fundação da INSEA8
- International Society for Education Throug Art - órgão consultivo da UNESCO,
até hoje atuando nesta área através de congressos internacionais e reuniões.